Há muito tempo venho estudando a ideia de começar a publicar artigos sobre assuntos diversos relacionados a minha vivência na área do TI. Já elenquei N temas, reuni referências, artigos, podcasts, evidências, e a coragem sempre foi ficando para trás.
Vivemos um momento em que a crítica constante se tornou uma realidade imbatível, ampliada por nossa grande presença nas redes sociais. Somos julgados por ser, por não ser, por fazer, por não fazer. Nos expomos de mais, nos expomos de menos. Mas muitas vezes esse medo vem mais de nós mesmos, do que realmente do mundo exterior, dos outros.
Hoje a coragem “brotou” e aqui estou eu compartilhando meus devaneios sobre o mais improvável dos temas e, por curiosidade, um que sequer estava na minha lista. Desacelerar. Diferentes formas de descansar. Tempo de qualidade. Autoconhecimento. Aceitação.
Desacelerar. Diferentes formas de descansar. Tempo de qualidade. Autoconhecimento. Aceitação.
Na área da Tecnologia, assim como em tantas outras, o aprendizado contínuo é basicamente um mantra e uma necessidade real. Para se se sentir estagnado, atrasado perante o mercado e os colegas, perante a indústria e todo o restante do mundo, são instantes daqui até este futuro que parece tão próximo e tão assustador.
Conforme vamos evoluindo pessoal e profissionalmente, o que acontece feliz ou infelizmente apenas após duras adversidades da vida, se tivermos em nosso caminho Deus, sorte, um bom terapeuta, todos estes ou seja lá qual for sua crença, começamos lentamente um novo processo de aprendizado, que não tem relação direta com a evolução tecnológica e apenas profissional ou focada no mercado de trabalho. Começamos a entender a importância do autoconhecimento, da necessidade de longas pausas, do dom que é saber fazer nada, o que parece bobagem mas é praticamente impossível para algumas pessoas. Da beleza em se se apreciar os pequenos momentos da vida, do tempo de qualidade com quem amamos.
E o mais interessante, no decorrer desse processo, começamos a entender que o período que antes parecia “perda de tempo”, é na verdade a mais potente forma de recarregar energias e ser extremamente mais produtivo.
Nos pressionamos tanto a produzir, render, entregar, que acabamos entrando em uma mão única de pura pressão e muitas vezes de sofrimento, onde não há mais prazer na possibilidade de evolução, apenas uma busca desenfreada visando objetivos praticamente inalcançáveis criados por um movimento insustentável.
Li um artigo muito interessante da Giulia Bordignon, há algumas semanas que mencionava vários itens relacionados a esse tema, e uma frase lá me chamou muita atenção: “Quando o aprendizado tem espaço para ser só aprendizado?”
Sempre fui extremante curiosa, gosto de praticar atividades diversas, nas quais muitas vezes não sou nem de perto boa, mas que me fazem bem e tem relação com traços da minha personalidade. Não porquê almejo ser uma grande costureira, uma grande escritora ou uma mestre cuca, nem porque saiba cantar (o que faço desafinadamente), mas pelo simples fato de sentir prazer em aprender algo novo, ajudar alguém do meu círculo social com aquele conhecimento, poder manter um papo legal com alguém que está chegando no grupo de amigos ou no time da empresa e ainda não se sente a vontade para conversar, trocar ideias sobre similaridades que encontro em outras áreas com o que faço no dia a dia, ou simplesmente porquê curti aquela atividade.
Isso significa que não gosto de estudar temas relacionados a minha área de atuação, que não pretendo seguir me especializando, evoluindo em minha carreia? É claro que não, eu amo tecnologia e este é hoje meu futuro, apenas estou tentando trazer uma visão sobre a importância em se normalizar necessidades básicas e traços únicos de nossas vidas.
Essa grande pressão pela evolução constante e o medo de julgamento, seja da sociedade, do mercado de trabalho ou exclusivamente nossa, muitas vezes (e na maioria delas em minha opinião), barra nossa evolução como seres humanos, como pessoas, como indivíduos complexos, com necessidades emocionais e físicas e vai aos poucos nos anulando.
Aprender a bela arte de descansar, aprender a aprender coisas novas apenas por aprender, por curiosidade, necessidades pessoais ou simplesmente porquê deu na telha, é lindo.
Hoje convido você a tentar algo novo, algo velho ou até mesmo não fazer nada, simplesmente porquê sim, para descansar, limpar a mente, respirar fundo e conseguir ouvir seus pensamentos, sem pressão, sem medo, apensar porque merecemos.
Deixo a imagem de minha última peripécia. Sempre fui uma péssima desenhista e pintora, mas tenho um companheiro que é talento puro e foi capaz de transmitir o máximo de conhecimento possível para alguém como eu, ou seja, totalmente sem talento para estes feitos. Pretendo seguir desenhando? Talvez sim, mas no ritmo deste aqui, há um ano criando apenas os traços 😅 mas feliz que só com minha pequena conquista, não apenas a da arte, mas a de respeito ao meu tempo e a mim mesma.

💡E você, o que vai fazer (ou não fazer) hoje, simplesmente porquê você merece?
Pequenos momentos para desacelerar:
- Leia algo que gosta todos os dias, podem ser apenas algumas páginas de um livro, um artigo, mas um momento seu;
- Ouça uma boa música enquanto toma um chá, café ou bebida de sua preferência;
- Pratique algum exercício, pode ser de pouco impacto como uma caminhada leve, mas ao ar livre, pode ser curtinha, mas sem acesso as notificações;
- Passe momentos com quem ama, seja fazer um lanche especial com seu parceiro, seja passar um tempo com seu pet.
